E não é que o Dunga tem razaõ...
Se existe uma coisa normal e previsível no mundo de hoje é a forma de relação entre um profissional de destaque e a grande empresa em que ele trabalha. Geralmente o empregado molda sua vida de acordo com os interesses da empresa, para poder maximizar sua importância e aproveitar sua eficiência. A recompensa para tamanha exploração é um belo salário no fim do mês, que não deixa de representar uma participação nos lucros que o empregado ajuda a gerar.
Mas cada atividade tem suas peculiaridades.
E a principal peculiaridade do esporte são as seleções nacionais.
Claro que os grandes clubes europeus, onde jogam os jogadores realmente importantes de praticamente todas as seleções, querem usufruir ao máximo de seus atletas durante e temporada e usar o período de férias e pré-temporada para recuperá-los para a temporada seguinte. Nessa lógica, não sobra espaço para a seleção, que só pode ter o jogador quando a FIFA obriga, o jogador aceita e o departamento médico do clube não proíbe.
A não ser que o jogador quisesse...
Ou o Kaká não tem moral para chegar para o Milan e falar “quero jogar a Olimpíada”? Esse discursinho “quero ir, mas o clube decide” é só para se eximir de qualquer responsabilidade sobre decisões que serão tomadas a respeito da vida da pessoa que fala isso!
Dunga é arrogante, brigão, inexperiente, retranqueiro, entre outros defeitos. Mas nessa pinimba entre ele e as estrelas, as estrelas estão completamente erradas.
Como disse o técnico espanhol da nossa seleção de basquete, nem todo mundo é como o alemão da NBA, que paga do próprio bolso o seguro que o clube dele obriga para libera-lo para Olimpíada, ao contrario dos brasileiros, que estão se dedicando a recuperar a forma para a próxima temporada, igualzinho o Kaká.
10 junho 2008
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