Êxodo
Pato no meio do ano e Breno agora foram duas transferências que incomodaram de uma forma ou de outra a todos os envolvidos com o futebol brasileiro. Muita gente dizendo que a Lei Pelé favorece a saída (precoce e numerosa) dos nossos jogadores e que deveríamos criar leis para impedir esse fenômeno.
Em relação a identificação da legislação, a lei que realmente revolucionou as transferências não foi a Lei Pelé, mas a Lei Bosman (Europa, 1996), que terminou com o passe na europa e permitiu que jogadores comunitários (ou naturalizados, como quase todo latino que vai para lá e tem algum ancestral europeu) não fossem atingidos pela barreira do limite de jogadores nacionais.
Apesar de sermos um país gigantesco, com um amplo mercado consumidor de futebol, empresas midiáticas poderosas e uma capacidade infinita de renovação de jogadores talentosos, nosso negócio futebol é tosco, amador, completamente zoneado. E evidentemente deficitário. Aí querem que o jogador pague a conta.
O dirigente do clube desvia dinheiro, a televisão paga menos do que pode e deveria, os políticos usam o futebol como trampolim para Brasília, os dirigentes de federações e confederações não organizam um campeonato / calendário decente, os empresários sugam até a alma dos atletas. Por isso tudo os caras vão para Europa. Seja Espanha ou Itália, seja Ucrânia ou Turquia. Ou mesmo para mundo árabe, extremo oriente ou qualquer lugar que pague mais do que se paga aqui.
Por questões que extrapolam o domínio do futebol, os maiores jogadores brasileiros vão fazer suas carreiras nos grandes times europeus. E nada podemos fazer para impedir isso.
Mas se países que estão tão mais-ou-menos como nós na economia (e mais fracos no futebol!), como Turquia e México, conseguem ter em seus campeonatos alguns jogadores da seleção e ainda contratam estrangeiros de alguma qualidade é porque isso é viável. Com um mínimo de organização, a venda dos craques sustentava os bons por aqui.
15 dezembro 2007
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