Reflexão.
O 25º aniversário da derrota de 82, durante esse semana, em plena era Dunga II - o treineiro, serviu de gancho para mais um capítulo do eterno debate futebol-arte x futebol-de-resultado.
Eu fico com a impressão de que os dois lados da questão erram feio nos argumentos ("é melhor perder jogando bonito do que ganhar jogando feio" ou "jogando bonito passamos 24 anos sem ganhar nada") pelo simples fato de partirem de premissas erradas.
Considerando que jogar bonito é ser ofensivo, entrosado, apresentar tabelas, ter domínio de bola e impor seu ritmo ao adversário e jogar feio é ser retranqueiro, só tentar vencer na falha do adversário, não valorizar a posse de bola, fazer e cavar muitas faltas, geralmente os times mais bonitos são os mais bem colocados nos campeonatos e os que jogam feio são os mais malcolocados. A seleção, quando deu show, venceu a Argentina por 4x1 e foi campeã. Quando foi burocrática perdeu a copa contra o primeiro adversário mais forte. E assim vai.
Vencer é o objetivo do futebol. E jogar bem é a maneira mais tradicional de se conseguir isso. Quando se vence jogando mal, geralmente o adversário jogou pior. Parece óbvio, mas nem para todo mundo.
Mas no meio desse festival de besteiras, achei bem interessante a colocação do sportv no programa sobre a derrota do Sarriá. Até aquele dia, jogo do Brasil era festa. Mais um dia de futebol, de parar para ver a seleção jogar. Depois disso, passou a ser guerra. Cada jogo um sofrimento, sintetizado pela contagem regressiva do Zagallo, comemorando a cada vitória que faltava menos um jogo para acabar aquele drama da copa.
Faço parte daqueles que pensam que estamos até hoje vivendo a herança maldita da copa de 82. Poderia ter sido decidida entre Brasil e França. Mas Palo Rossi e os alemães venceram. Deveriam ter virado exemplos de superação. Viraram exmplo de futebol. Brasil e França deveriam ter virado exemplo de futebol. E viraram exemplo de poetas alienados e derrotados. Ruim para o futebol. Até hoje.
08 julho 2007
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